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Henrique Meirelles: novo Ministro da Fazenda

Opinião

Semana terminada em 13_05_16

Henrique Meirelles: novo Ministro da Fazenda

meireles

Acabo de assistir a primeira entrevista de Henrique Meirelles, recém nomeado como Ministro da Fazenda e vou resumir os principais itens de seu pronunciamento:

  • Sua prioridade é cuidar da dívida pública, visto que o governo de Dilma já havia enviado seu orçamento para o Congresso; “quero examinar os dados, de modo a ter uma base sólida a ser proposta”;
  • Diz, “será preciso fixar tetos para os gastos públicos”;
  • Acrescenta que “há uma indexação generalizada na economia, (fenômeno que ocorria antes do plano real e que significa reajustar preços porque os preços estão subindo) daí a razão de precisarmos estabelecer metas nominais para as despesas para todos fatores relevantes, de modo a diminuir a inflação brasileira”;
  • “Quanto às medidas que já foram encaminhadas (pelo governo de Dilma) ao Congresso, será preciso examinar cada projeto; os direitos adquiridos serão respeitados, mas os demais serão revistos em função dos números reais encontrados; em especial, as isenções autorizadas serão analisadas”;
  • “Quanto à CPMF (respondendo pergunta de jornalista) há que se considerar que o nível tributário no Brasil está muito elevado, a meta é diminuir; se formos propor um tributo será por tempo temporário se necessário; a prioridade hoje é a dívida fiscal que precisa ser diminuída”;
  • Em quanto tempo a economia deverá se recuperar? (Pergunta de jornalista). Diz Meirelles, “não posso dar tempo, será o mais rápido o possível, mas não podemos anunciar números, precisamos ter segurança, estamos examinando os dados; para as previsões macroeconômicas, é muito mais difícil, mas vamos já reverter as expectativas”;
  • Acrescenta: “na segunda fase desse processo, teremos anuncio das medidas tais como simplificações tributárias, reformas microeconômicas, reversão do processo de queda do crescimento”;
  • “Na segunda feira indicarei o nome para o Banco Central” (comento que isso é novidade, porque em todo o governo do PT os ministros da Fazenda nunca foram a autoridade perante o BC e essa nova posição, agora com Meirelles é muito importante, pois dará unidade de comando na economia);
  • “Quanto às dívidas dos Estados, o Supremo determinou que devemos negociar, há uma proposta do governo (de Dilma), a linha está correta, mas precisaremos de regras que garantam que isso não vá se repetir; os Estados passarão por disciplina fiscal rigorosa”; Repórter pergunta: “e o Rio de Janeiro pedindo moratória de 2 anos?” Responde Meirelles: será renegociada dentro dos princípios gerais, não poderá prejudicar a União, terão metas a serem atingidas”;
  • “Sobre as empresas estatais, vamos olhar nos detalhes, deveremos ter números realistas, sem pressa para aceitar os primeiros dados”;
  • Uma pergunta sobre a comparação de 2003 (quando Meirelles assumiu a direção do Banco Central com 2016, responde: “cada momento é diferente dos outros, hoje a questão é outra, mas o Brasil já enfrentou momentos difíceis e superou, hoje vamos partir de bases realistas de modo a ter diagnósticos corretos e ai iremos nos comprometer com as medidas necessárias”;
  • E sobre a politica atual do Banco Central e a permanência de seu atual presidente Tombini? Pergunta repórter. Diz Meirelles: “Fui presidente do BC e meu princípio é não comentar gestões anteriores, mas vamos procurar ter estabilização da inflação e convergência para sua meta”;
  • Pergunta repórter: “e sobre os projetos sociais, haverá corte? Não vai haver redução? Ou seleção de pessoas?” Responde Meirelles: ” Michel Temer garantiu que vamos manter os programas sociais, mas manter programas sociais não quer dizer manter uso errado, desvios não serão aceitáveis, esses programas precisam uma avaliação rigorosa do uso de cada um deles, avaliação forte e cuidadosa”;
  • ” E sobre os bancos públicos?” Pergunta repórter. Diz Meirelles, “serão avaliados com critérios técnicos, com seus objetivos de emprestar e transformar poupança em investimentos, com pessoas escolhidas e aprovadas diretamente por mim, independentemente da indicação ou partido”;
  • Pergunta repórter: “Quanto tempo precisa para sair da crise? Há temor das manifestações?” Responde Meirelles: “Protestos fazem parte da democracia, em qualquer momento, mas deve prevalecer o interesse da sociedade; é certo que o debate será intenso e legítimo; sobre o tempo da crise, o que é ela? A economia está caindo, espera-se que pare de cair e aí teremos a inflexão. Qual é essa inflexão e qual seu ponto? Dependerá dos agentes econômicos entenderem que as medidas estão sendo tomadas e funcionarão, é processo rápido, em 2003 a queda durou seis meses; a primeira coisa que será revertida será a expectativa”

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Minha avaliação: Meirelles está muito bem, tranquilo internamente, contente com a posição de mando, de mando não só sobre o Ministério da Fazenda, mas também sobre o Banco Central do Brasil, sobre os bancos públicos (Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, BNDES, Fundações de seguridade, etc. Um poder enorme, no tamanho de sua ambição, e creio, também de sua competência.  Vai dar certo! Mas vamos acompanhar!

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Obrigado por ver minhas publicações, que podem ser lidas em

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Abraços,

Carlos Daniel Coradi

Engenheiros Financeiros & Consultores

Diretor Presidente