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História dos Bancos no Brasil

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“ História dos Bancos no Brasil ”[1]

O caso da venda do HSBC

Gostaria de falar sobre a história dos bancos no Brasil, e vou começar pelo Banco HSBC. A história do HSBC – em verdade, Hong Kong Shangai Banking Corporation – começa com o drama do Banco Bamerindus, que sofria com os boatos sobre a sua saúde financeira, desde a quebra do Banco Econômico, em agosto de 1995. Isso produziu a fuga dos grandes investidores e trouxe a falta de confiança do mercado, agravando seus problemas de liquidez.

O HSBC já era um pequeno acionista do Bamerindus, mas quando a situação se agravou, foi “chamado” a adquirir a parte boa do Bamerindus, pois o Banco Central declarou sua liquidação extra-judicial no dia 26 de março de 1997. E dividiu o então Bamerindus em duas partes no modelo “goodbank” – “badbank”. O “badbank” foi para a liquidação comandada por um interventor nomeado pelo BCB e a parte boa passada para o novo sócio, o HSBC, que já detinha 6% de seu capital[2].

Para tornar viável a operação, foi feita uma injeção de recursos de R$ 5,7 bilhões do PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro). O HSBC também capitalizou a Instituição em US$ 1 bilhão[3], sendo R$ 400 milhões pagos ao Senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB-PR), o então principal acionista do Banco.

Além do Banco Bamerindus, outras empresas do grupo também sofreram intervenção: a Fundação Bamerindus de Assistência Social, Bamerindus Participações e Empreendimentos (BPE) e Bastec Tecnologia e Serviços Ltda. Com essas intervenções, ficaram indisponíveis os bens dos 65 controladores e administradores, inclusive do Senador e ex-Ministro da Agricultura José Eduardo Andrade Vieira, acionista controlador do Bamerindus e de Maurício Schulman, Diretor do Banco e também Presidente da Federação dos Bancos , FEBRABAN.

O Bamerindus foi dividido em duas partes: a parte boa, que foi transferida para o HSBC, com ativos e passivos de R$ 10 bilhões, incluída aí a Corretora e a Seguradora, e a parte ruim, ou seja a massa falida, ficou sob intervenção do Banco Central, com ativo e passivo de R$ 5 bilhões. Além da empresa de papel e celulose, a Impacel, também incluída nesse valor, pois foi a origem de grande parte das dificuldades e dos prejuízos ao grupo.

O mercado, e o próprio povo brasileiro, não sabem exatamente quanto o Hong Kong Shangai Bank pagou pelo Banco Bamerindus e o que entrou na compra, bem como o que ficou fora dela. A alegação é de que se trata de sigilo bancário portanto o Banco Central não revela detalhes do acordo. O público acaba tomando conhecimento parcial da operação através de esforço jornalístico que nem sempre é preciso e completo.

No caso do Bamerindus, reportagem da Revista Veja[4]sob o título “Um presente chamado Bamerindus” coloca a questão através do subtítulo “Cinco meses depois de sua venda, descobre-se que os ingleses do HSBC levaram o Banco de graça”. Diz a notícia que o desembolso do HSBC foi de R$ 381,6 milhões pelas contas de 2,6 milhões de correntistas, 1241 agências, prédios, ativos de mais de R$ 10 bilhões e uma das seguradoras mais rentáveis do país, bem como a marca comercial do Bamerindus, evitando-se assim um naufrágio danoso para o Sistema Financeiro.

Segundo a mencionada reportagem, o HSBC recebeu R$ 431,8 milhões do Banco Central para reestruturar o Bamerindus e saldar reclamações trabalhistas, não se tratando de empréstimo, já que esse dinheiro não retornará ao BC. A parte que foi passada ao HSBC foi previamente limpa da parte podre do Banco paranaense com recursos do PROER, no valor de R$ 2,9 bilhões. Esse número significa a parte da carteira imobiliária problemática que foi para a Caixa Econômica Federal, a qual recebeu mais R$ 2,5 bilhões do PROER. Contudo, o HSBC exigiu do Banco Central garantias de que não haveriam eventuais rombos ainda não descobertos.

Segundo a Revista Veja, o Bamerindus comprou R$ 1,27 bilhão de títulos da dívida externa brasileira que ficaram à disposição no HSBC para cobrir eventuais prejuízos. A alegação de Gustavo Loyola, ex-presidente do BC, reproduzida na entrevista é de que “A proposta do HSBC era a única que permitia resolver o problema do dia para a noite”.

O Desempenho do HSBC nos últimos quatro anos não tem sido bom e em verdade tem piorado, o que poderia explicar sua decisão de considerar a venda no Brasil, conforme mostra o quadro que levantei para o período 2011-2014: de uma rentabilidade patrimonial de 13% em 2011, cai para 12% em 2012, 4% em 2013 e -6% em 2014.

Desempenho do HSBC

Voltaremos ao tema do HSBC no próximo blog técnico.

[1] A publicação chama-se em verdade “História das Instituições Financeiras no Brasil” e abrange desde o período de 1808, quando Don João VI montou o primeiro “Banco do Brasil” até 2015, agora com a venda do HSBC. Trata-se de uma publicação da EFC com 518 páginas, vendida encadernada em dois volumes; encomendas pelo site www.carloscoradi.com.br;tem sido comprada pelos principais bancos do Brasil e inclui a história de corretoras e distribuidoras de valores e de administradoras de consórcios liquidadas pelo BCB, bem como uma completa revisão dos sete planos econômicos do Brasil, que influenciaram de maneira notável a vida dos bancos e instituições financeiras do Brasil.

[2] Conforme citado em “O Globo”, edição de 27/03/97, Economia, página 17

[3]Folha de São Paulo, 27/03/97, Caderno 2, Dinheiro

[4]Revista Veja, edição de 27 de agosto de 1997, pág. 106.

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