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Correios! Novo escândalo.

OPINIÃO

Semana finda em 10_07_2015

Editorial: Novo escândalo nos Correios!

A descoberta de que um vídeo de maio de 2005 mostrava um funcionário do Correios, Maurício Marinho, recebendo R$ 3.000 de um empresário que queria participar de uma licitação e dizendo que tinha a cobertura de Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB precipitou a crise politica,inicialmente circunscrita aos Correios. A memória pode não ser boa, mas os registros estão na internet[1].

Jefferson, achando que era o PT que o acusava, denunciou um outro esquema de pagamentos de propinas para dar mesadas mensais para deputados federais votarem a favor do Governo. A este esquema o deputado Miro Teixeira, do PDT, batizou de “mensalão”. Para investigar essas denúncias, a Câmara criou uma Comissão de Inquérito denominada CPI dos Correios.

Em junho de 2005, Roberto Jefferson depõe no Conselho de Ética da Câmara e confirma o esquema do mensalão, dizendo que avisara diversos ministros de Lula; falando à José Dirceu, então Secretário Geral da Casa Civil da Presidência da República, recomendou que “saísse rapidinho” do Governo. De fato, dias depois (16 de junho de 2005) José Dirceu renuncia ao cargo, onde ele era o homem forte de Lula, o Presidente. Essa cronologia de eventos pode ser vista em detalhes[2]. Vaja a foto de Jefferson: disse que bateu em um armário.

Roberto Jefferson - Olho Roxo

As denúncias de Jefferson acabam criando uma segunda CPI, instalada em 20 de julho do mesmo ano e chamada de “CPI do Mensalão” que toma muitos depoimentos de pessoas que depois seriam condenadas no processo do Supremo Tribunal Federal, o STF.

O Procurador Geral da República, Antônio Fernando Souza, em 11 de abril de 2006, com base nas duas CPI´s, a do Correios e a do Mensalão, apresentou ao STF denúncia contra 40 acusados cujo “cabeça” segundo o Procurador Geral, era o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP).O ministro Joaquim Barbosa, relator do caso e que foi nomeado pelo governo petista, recebeu a denúncia.O resultado foi finalizado em 2011.

Vejam o quadro dos resultados: De 38 réus, 26 foram condenados a um total de 311,5 anos de prisão; em média, 12 anos para cada um, com os limites de 40,1 anos para Marcos Valério e  2,5 anos para José Borba; dos 38 réus, 12 foram absolvidos.

Muitos escaparam da prisão fechada no último instante, salvos pelo rigor jurídico do Ministro Celso Melo, o decano do STF, que permitiu os chamados “embargos infringentes”. Por eles escaparam de penas mais pesadas (inclusive prisão em regime fechado) no crime de “formação de quadrilha” o ex ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do PT José Genoíno e outros cinco condenados no processo do mensalão do PT, entre eles ex-dirigentes do Banco Rural e o grupo de Marcos Valério (embora Valério apareça com a mais severa condenação, que poderia ser ainda pior). O quadro seguinte, por mim elaborado com base em dados da internet, mostra o tamanho do estrago sofrido pelos “mensaleiros” graças ao STF e cinco anos de trabalho dos ministros:

Mensalão

Apesar da estupefação dos brasileiros com o resultado da ação penal 470, que começou com a CPI dos correios em 2005, agora, em 2015, DEZ ANOS DEPOIS, aparece um novo escândalo nos Correios, dessa vez no Fundo de pensões POSTALIS, que foi constituído para assegurar recursos para as aposentadorias dos funcionários da estatal.

Diz a manchete do “O Estado de São Paulo[3]: “Justiça bloqueia bens de executivos do fundo de pensão POSTALIS, dos Correios”; confirmado um rombo de R$ 5,6 bilhões! Esse pessoal não tem vergonha na cara, devem ter visto em 2005 o caso da CPI dos correios, devem ter visto seu desdobramento na CPI do mensalão há mais de 10 anos, viram a condenação dos réus do processo 470 do Supremo e ainda assim metem a mão no dinheiro dos empregados do Correio, que falta de vergonha! Cadeia neles!

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[1]Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_dos_Correios

[2]Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Cronologia_dos_desenvolvimentos_do_esc%C3%A2ndalo_do_mensal%C3%A3o_(2005)

[3] Conforme a edição de 8 de julho de 2015, na página B1 do citado jornal.

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