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Roubos gigantescos nos fundos de pensão!

OPINIÃO

Semana finda em 09_09_16

Roubos gigantescos nos fundos de pensão!

 

Roubos fundo de pensão

 

A Operação Greenfield, iniciada na manhã da segunda feira, 5 de setembro, investiga roubos gigantescos, nos quatro maiores fundos de pensão do Brasil:

  • O fundo denominado PETROS, dos milhares de funcionários da Petrobrás;
  • O fundo denominado FUNCEF, dos milhares de funcionários da Caixa Econômica Federal;
  • O fundo denominado Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, o maior fundo de pensão da América Latina.
  • Nessa operação entraram em uma ação conjunta, além da Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Superintendência Nacional de Previdência complementar (que é o órgão governamental de controle desses fundos) e a própria CVM, a Comissão de Valores Mobiliários.

As ações se estenderam pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espirito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, (segundo o jornal eletrônico JB) e movimentou 560 policiais, cumprindo 147 mandados judiciais de busca e apreensão, conduções coercitivas e prisão temporária.

Foram presos um ex-presidente e um ex-diretor da Funcef e importantes executivos e sócios de grandes empresas, alvos de busca e apreensão de documentos e condução coercitiva (por exemplo os irmãos Joesley e Weslei Batista, donos da J&F, a holding proprietária da JBS, e Walter Torre, dono da Construtora WTorre).

Digo eu: Qual o modelo atual de participação desses fundos de pensão? As grandes empresas interessadas na obtenção de recursos deles apresentam projetos, muitas vezes através de uma modalidade chamada “FIP”, Fundos de Investimentos e de Participações; e ai, os projetos são “analisados” e aprovados e as fundações entram com o dinheiro; mas em geral as análises técnicas e as aprovações são “mascaradas”, com valores que acabam não se materializando, via de regra com subornos dos executivos dessas fundações. E então aparecem prejuízos gigantescos, que obrigam os milhares de funcionários a contribuírem com mensalidades adicionais, retiradas de seus salários, para cobrir os rombos gigantescos que os projetos acabam causando.

Infelizmente essa história é muito velha, embora venha a público com essa virulência apenas agora. Uma CPI da Câmara dos Deputados, que se arrastou por muitos meses, concluiu em abril deste ano seu relatório, pedindo o indiciamento de 146 pessoas.

Digo eu: Existem evidências de que as fraudes nos fundos de pensão ocorrem há décadas. De fato, diversos pequenos bancos, os chamados “bancos de andar”, para sobreviverem, precisavam (e ainda precisam) descobrir maneiras de captar recursos, já que sem agências abertas ao publico em geral, não conseguem ter depósitos e contas correntes em volumes necessários para sobreviverem. E nos anos 70 e 80, ou seja, há mais de quarenta anos atrás, essas instituições financeiras procuravam os fundos de pensão e, através de propinas, vendiam títulos de renda fixa  e cotas de fundos de investimentos. para eles.  Diversos bancos que quebraram tinham passivos com as fundações, que então perderam a totalidade de suas aplicações. Vou dar apenas dois exemplos, de dezenas de outros casos:

 

1)  Em 15 de maio de 1997, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Fortaleza (Banfort), sob alegação de problema de falta de liquidez patrimonial. Também foram liquidadas, por extensão, a Corretora Banfort de Câmbio.

 O Banfort tinha então 15 agências, 254 funcionários e um passivo total de R$ 599,8 milhões. A compra do seu capital pela Fundação Habitacional do Exército (FHE) provocou polêmica, pois a Fundação havia fechado a compra com o proprietário da Instituição, sem avisar a autoridade monetária e o próprio Ministro do Exército, Zenildo Lucena, que obteve o parâmetro total da negociação através de uma carta assinada pelo Presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. Evidentemente a Fundação Habitacional do Exército perdeu todo o dinheiro colocado no Banfort. (fonte, vide a nota 1)

2)   Outro caso escabroso, na linha de mostrar ao meu leitor que as fraudes nos fundos de pensão são antigas, reproduzo outro trecho da mesma fonte da nota 1, agora referido a aplicações da Fundação do Banco Central do Brasil nos negócios do Sr. “Ricardo Mansur:”

Diz a notícia do Correio Braziliense de 3 de junho de 2003, portanto mais de três anos após o fechamento do Crefisul pelo Banco Central:

As operações malsucedidas doCentrusforam tantas que, no final de dezembro de 1998, se todos os seus 1.700 contribuintes decidissem pedir aposentadoria, o fundo não teria como pagá-las integralmente. Haveria um rombo de R$ 200 milhões. Nos documentos obtidos pelo Correio, chama a atenção a predileção do Centrus por financiar o empresário Ricardo Mansur, condenado judicialmente pela falência fraudulenta do Mappin e da Mesbla, as duas maiores lojas de departamento do país, e pela quebra do banco Crefisul”.  

 

Digo  eu: Com esses dois exemplos reais, um de 1997 e o outro de 2003, fica provada minha afirmação de que os roubos nos fundos de pensão são antigos e a maioria, infelizmente, que os responsáveis por investimentos mal feitos tenham sido punidos. Oxalá agora as punições sejam materializadas e os malfeitores postos nas cadeias.  Os fundos agora acusados pela operação Greenfield alegam, conforme se lê nos jornais, que possuem órgãos rígidos de controle e de Compliance, de modo a selecionar cuidadosamente seus investimentos. Só se for daqui para frente, pois até agora essa governança corporativa era “para inglês ver”…

  Nota 1: o texto é cópia de trecho do livro sobre Fraudes em Instituições Financeiras de minha autoria, que será em breve publicado pela Editora Matrix.

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Sou Carlos Daniel Coradi, 79, Engenheiro (Poli USP), MSc (FGV), 55 anos de carreira profissional, 25 como consultor de empresas, focado em Finanças, Reengenharia Empresarial, Reestruturação de Empresas, Recuperação Judicial, Coaching Financeiro .  Atendo empresas industriais, comerciais e de serviços,  bancos, administradoras de consórcios, etc.

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