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BUMLAI, LULA E SCHAHIN

OPINIÃO

Qual a ligação desses três nomes? 

Semana iniciada em 06_02_2017

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A ligação desses três nomes aparece claramente no último capítulo do livro “Dinheiro Podre” de autoria de Carlos Daniel Coradi e Douglas Mondo, publicado no final de 2016 pela Editora Matrix.

Esse capítulo mostra as origens do Grupo Schahin e sua entrada em dois setores estratégicos, o financeiro, com a criação da Corretora e do Banco, e o ingresso no setor de petróleo, com um crescimento explosivo que envolveu José Carlos Bumlai, pecuarista amigo de Lula. Por conta dessa relação, Schahin conseguiu um contrato bilionário com o moderníssimo navio de perfuração, o Vitória 1000 na Petrobrás  e Bumlai levou R$ 12 milhões para o PT, dinheiro que nunca pagou[1]. Mas o Banco Schahin foi vendido para o BMG com um rombo de R$ 1,3 bilhão e sumiu, mudou de nome. O Juiz Sérgio Moro, que conduz a operação “Lava-Jato” condenou Bumlai, que confessou (como amigo pessoal de Lula) ter obtido esse falso empréstimo para quitar dívidas do PT e condenou os dois sócios do grupo Schahin, Salim Taufic Schahin  e seu irmão Milton Taufic Schahin[2]


[1] Vide o documento da Polícia Federal pelo link http://s.conjur.com.br/dl/pedido-prisao-buscas-bumlai-mpf.pdf

[2] Detalhes podem ser lidos nas 104 páginas do despacho do Juiz Sérgio Moro através do link

Processo http://www.mpf.mp.br/pr/sala-de-imprensa/docs/sentenabumlai.pdf

Separo três trechos mais importantes:

  • Condenação de Salim Taufic Schahin pelo Juiz Sérgio Moro, pag. 101:

­ “quatro anos de regime aberto, com recolhimento domiciliar no período noturno, entre as 20:00 e as 06:00, bem como integral nos finais de semana, com tornozeleira eletrônica; ­ prestação de serviços, por 20 horas a cada semana, durante o período de cumprimento do regime aberto”.

  • Condenação de Milton Taufic Schahin pelo Juiz Sérgio Moro, pág. 96:

“Entre os dois crimes, gestão fraudulenta de instituição financeira e corrupção, há concurso material, resultando as penas em nove anos e dez meses de reclusão. As penas de multa devem ser convertidas em valor e somadas. Considerando as regras do art. 33 do Código Penal, fixo o regime fechado para o início de cumprimento da pena. A progressão de regime para o crime de corrupção fica, em princípio, condicionada à reparação do dano nos termos do art. 33, §4º, do CP.

  • Condenação de José Carlos Bumlai pelo Juiz Sérgio Moro, pág. 95:
  • Entre os dois crimes, gestão fraudulenta de instituição financeira e corrupção, há concurso material,

BANCO E GRUPO SCHAHIN

Cópia do livro “Dinheiro Podre”, Editora Matrix, de autoria de Carlos  Daniel Coradi e Douglas Mondo, 2016 (Capítulo 8, páginas 187 até 2015)

Escolhi de próposito o caso do Banco Schahin para encerrar este livro, por várias razões: é a parte mais desconhecida do público brasileiro, embora a imprensa e a televisão tenham falado frequentemente sobre a atuação do grupo Schahin, quer na área de atividades com a Petrobrás, quer pelo envolvimento nas investigações das diversas fazes da operação Lava-jato; e é a mais desconhecida porque ninguém da imprensa investigativa fez a ligação entre o então Banco Schahin e as atividades do segmento de petróleo.

Houve pouquíssima atenção para a gigantesca fraude na contabilidade do banco, e para investigação do destino do dinheiro, mais de um bilhão de reais, que se evaporou do banco. Como  autor deste livro, conheço profundamente esse aspecto já que perdi uma soma muito grande de dinheiro com a quebra do banco.

O inicio do Grupo Schahin

O autor deste livro ingressou na empresa Schahin Cury – Engenharia em 1977, convidado pelos seus sócios originais. Essa era então uma das duas empresas do grupo, ao lado da Habitécnica S/A, uma empresa de empreendimentos imobiliários.

Anteriormente, o autor era assessor do Grupo Klabin, trabalhando diretamente com os sócios, Samuel Klabin, Abraão Jacob Lafer e Celso Lafer, que foi a pessoa que havia o convidado a partir de tê-lo conhecido na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas.

Por sua vez, a Schahin Cury Engenharia e Comércio (SCEC) foi fundada em 1965 por três  recém formados engenheiros civís da Universidade Mackenzie, Salim Taufic Schahin, seu irmão Milton Taufic Schahin e Claudio Alberto Cury. Em seguida, a mãe de Claudio ingressou na sociedade de modo a equilibrar a participação em 50 – 50 para as duas famílias. Foi Salim Schahin que, tendo conhecido o autor na FGV, onde era seu colega de turma, o convidou para ingressar em seu grupo, com vistas a ajuda-lo em seu desenvolvimento.

A condição para o ingresso na empresa Schahin Cury , colocada pelo autor, era a de ser um socio em todas as empresas que viessem a ser constituidas no grupo que estava em formação, o que de fato foi aceito e objeto de um cuidadoso contrato assinado por todos.[1]

O primeiro trabalho do autor junto aos seus novos sócios Schahin e Cury foi cuidar da montagem de uma Corretora de Valores, após a aquisição em 1978 de uma carta patente na Bolsa de Valores de São Paulo.  A Corretora, denominada Schahin Cury Corretora de Cambio e Valores Mobiliários S/A iniciou suas atividades em janeiro de 1980, tendo crescido bastante em seus primeiros anos.

O Banco Schahin,  é sucedâneo do Banco Schahin Cury, o qual por sua vez foi criado com o aproveitamento do patrimônio da Schahin Cury Corretora de Cambio e Valores Mobiliários S/A, ou simplesmente SCCCVM.

A SCCVM foi fundada em 1980, pelo Grupo Schahin Cury, o qual originalmente era uma construtora habitacional, denominada Schahin Cury Engenharia e Comércio Ltda, ou   simplesmente SCEC[2]

A Corretora de Valores[3] se distinguiu de suas concorrentes em seus primeiros anos, pelos elevados padrões técnicos e éticos; uma evidência desse fato foi o pedido do Banco Central do Brasil para que cinco pessoas de Brasília estagiassem por uma semana na Corretora, sendo que um desses estagiários anos mais tarde seria promovido


[1] Para elaboração desse contrato, o professor Celso Lafer, seu diretor no Grupo Klabin, permitiu que a equipe de advogados dele elaborasse a minuta contratual que seria a base do ingresso do autor nas empresas Schahin Cury.

[2] Da diretoria da SCCCVM participaram desde seu início o autor, Claudio Alberto Cury e Rubens Taufic Schahin.

[3] O autor foi sócio e diretor da SCCCVM desde sua fundação até a sua saída do Grupo em 1991.