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A ECONOMIA DESCOLOU DA POLITICA!

OPINIÃO

A ECONOMIA DESCOLOU DA POLITICA!

Semana iniciada em 09_10_2017

Preparamos para nossos leitores o quadro abaixo, que mostra a evolução do IPCA, o índice de preços ao consumidor amplo, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dois períodos, o de Dilma Rouseff e o de Michel Temer. O primeiro é nitidamente ascendente e o segundo descendente. Essa mudança foi fundamental para criar a base da recuperação da economia brasileira, que descolou completamente do cenário político, este cada vez mais complexo e de solução indeterminada.

O gráfico mostra, no periodo “Dilma”, dois picos mensais da inflação, 1,32%  e 1,27% , respectivamente em março de 2015 e em janeiro de 2016; Michel Temer assumiu interinamente em 12 de maio de 2016, e no mesmo momento nomeou Henrique Meirelles como seu ministro da Fazenda.

Este, por sua vez, criou um corpo técnico de alta credibilidade, colocando à frente do Banco Central do Brasil um reputado executivo de bancos, Ilan Goldfajn, que assumiu o BCB já em junho do mesmo ano.

Assegurar a credibilidade de uma gestão econômica tranquila foi item basilar para prosseguir com os demais itens necesssários para recuperar nossa economia.  Na época de Dilma, ela própria é quem tomava as principais decisões da economia, como por exemplo a retenção desastrosa dos preços em 2014 para conseguir se reeleger. Hoje, nem Temer, nem Meirelles interferem com as diretrizes operacionais do Banco Central do Brasil.

A queda da inflação tem muito a ver com a volta do emprego, pois ela ajudou a recuperar o poder de compra do trabalhador, assalariado ou não, queda que, por sua vez, alentou os setores econômicos, cujos sinais chegaram até as industrias, o último segmento a sentir os efeitos da virada.

Em resumo, isso refletiu na mudança do chamado PIB, o produto interno bruto, a soma de tudo que um país produz.

A economista do PT, doutora inclusive, Maria da Conceição Tavares, disse em 2014 que “ninguém come PIB, come alimentos”[1], o que é uma grande asneira, pois com a enorme recessão que Dilma produziu, combinando-a com alta inflação, o povo ficou desempregado e perdeu seu poder de compra.

Dois crescimentos negativos, de -3,8% em 2015 e -3,6% em 2016 criaram um “buraco” de 7,5%  de nossas riquezas. Ora, para um produto interno da ordem de R$ 5,9  trilhões, o buraco é de R$ 545 bilhões,  deficit que sobrou para Temer, Meirelles e Ilan concertarem.

As previsões de crescimento sairam dos números negativos já mostrados e em 2017 devem alcançar 0,7% pelo menos; em 2018 elas  são de 2,43% e para 2019 de 2,50%. O Brasil só voltará a ter a renda que tinha em 2014 no ano de 2020, ou seja, o estrago da administração do PT nos fez  voltar seis anos para trás!

Ao contrário das crises anteriores, por exemplo a do fim do governo Sarney ou mesmo a do fim do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando, nas duas ocasiões, as reservas de moeda forte do brasil estavam praticamente “zeradas” (Sarney declarou moratoria e FHC teve que correr ao FMI, ajudado por Bill Clynton, com um emprestimo emergencial) hoje o Brasil tem, em caixa, US$ 380,7 bilhões[2]. Nunca teve um volume de reservas tão alto.

Isso se deve principalmente ao elevado saldo da balança comercial (ou seja, dolares obtidos por exportações, menos dolares gastos em importações).

Para ficar claro como esse número evoluiu de “Dilma” para “Temer”, em 2014 o saldo comercial com Dilma foi de US$ -3,9 bilhões (negativo!), em 2016  com Temer foi de US$ 47,7 bilhões (positivo, portanto) sendo que  a previsão para 2017 é de US$ 63 bilhões, um récorde histórico. E esses saldos positivos estão vindo não apenas de exportações de minério de ferro e soja, mas também de exportações de bens industriais, como automóveis e caminhões.

Por conta desse progresso evidente, a taxa de desemprego começa a se reduzir: “cai desemprego no país, que fica em 13%” , diz IBGE; “foi a primeira redução desde o trimestre entre outubro e dezembro de 2014”.[3]

E a política? Essa piora a cada dia.. vamos resumir o quadro atual:

  • O Presidente Temer foi atingido pela última flechada do ex-procurador geral da república e será julgado juntamente com dois de seus ministros (Eliseu Padilha e Moreira Franco) por organização criminossa e desvio de dinheiro público, através de um parecer da Comissão de Constituição e Justíça da Câmara dos Deputados. O caso segue depois para a Câmara aprovar ou rejeitar.
  • No Supremo Tribunal de Justiça o “Pleno” , com seus 11 ministros, julga quarta feira (11 de outubro de 2017) um caso que poderá, pela generalização, afastar em definitivo (ou não) Aécio Neves, do PSDB. O julgamento vai resolver o grave embate entre o STF e o Senado Federal, ao decidir se o STF pode (ou não) afastar um Senador.
  • Com a Justiça, Policia Federal e a Lava-Jato, existem, entre os senadores, 40 deles[4] envolvidos com ações na justiça (no total de 81, praticamente a metade);
  • Na Câmara Federal, entre os 513 deputados, 299 tem ações na Justiça, ou 58,3% do total. Diz o site “Contas Abertas” que há 51 deputados que já são réus no STF. Juntos, eles respondem por um total de 70 ações penais[5].

Digo eu: a eleição de 2018 deverá limpar o Senado e o Congresso, não reelegendo quem não tiver ficha absolutamente limpa.  Vejam os dados em

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/veja-os-senadores-que-sao-investigados-no-stf/ (traz a relação completa dos 40 senadores e suas respectivas defeses;

Olhem também o site “contas abertas” em http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/12770


[1] Conforme se lê em https://extra.globo.com/noticias/economia/maria-da-conceicao-tavaresninguem-come-pib-come-alimentos-11973827.html

[2] Posição em 05 de outubro de 2017: US$ 380.754 milhões, segundo http://www.bcb.gov.br/?rp20171005

[3] Fonte, https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/28/internas_economia,887370/cai-desemprego-no-pais-que-fica-em-13-diz-ibge.shtml

[4] Conforme relação em http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/veja-os-senadores-que-sao-investigados-no-stf/

[5] Veja o site http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/12770