EFC Engenheiros Financeiros & Consultores

Family Office – Parte I

OPINIÃO

Family Office – Parte I!

Semana iniciada em 20_03_2017

Muitas famílias brasileiras trabalham de um modo extenuante por diversas gerações. E graças a labuta diária, a boas escolhas estratégicas e duas ou três gerações acumuladas, adquirem um montante apreciável de ativos: empresas, propriedades, aplicações financeiras, tecnologia, nome, marca, tradição.

Esse fenômeno de acumulação de riqueza não é exclusivo de nenhum país, e muito menos do Brasil, pois em verdade ele é mundial. E, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, têm gerado uma preocupação de proteger o patrimônio da família através das próximas gerações. Da América do Norte vem o modelo de organizar o “Escritório da Família”, em inglês “Family Office”.

Em Chicago o “Institute for International Research”, na série designada “The HR Wealth Management Series”, promove Fóruns Anuais[1] desse tema, mas a análise de sua documentação de um deles mostrou que houve uma concentração com a alocação de ativos, e particularmente com as aplicações financeiras.

As questões principais que esse Fórum abordou foram as seguintes: 1, desenvolvimento e implementação de um plano de alocação de ativos; 2, o papel de investimentos alternativos no portfólio da família; 3, estratégias de diferentes fundos de investimentos e sobre como utilizar a mistura adequada de estilos; 4, investimentos de valor versus investimentos de crescimento e a identificação de qual é a estratégia adequada para uma determinada família; 5, gerenciamento da liquidez e da demanda de receitas através do gerenciamento efetivo de caixa; 6, aplicações de renda fixa e o melhoramento dos retornos depois dos impostos através de alternativas estratégicas de investimentos; 7, agregação financeira e o gerenciamento de diversos “Investment Managers”  e consultores; 8, técnicas para gerenciar um portfólio com uma baixa proporção de ações.

Ao lado desses temas técnico-financeiros, o seminário tratou também da questão organizacional e jurídica do “Family Office”, da constituição de “Trusts”, da conveniência ou não de se adotar paraísos fiscais para fixação de uma holding do “Family Office”, da conveniência de se seguir leis anglo-saxônicas versus legislações romanas e assim por diante.

O tema é relativamente novo no Brasil e conhecido de apenas algumas dezenas de famílias. Contudo, esse número deverá crescer muito nos próximos anos, especialmente quando a preocupação com o quadro conjuntural brasileiro aumenta.

Nós, na EFC Engenheiros Financeiros & Consultores temos trabalhado com clientes na organização e desenvolvimento de “Family Offices” aqui no Brasil e tivemos oportunidade de viajar para diversos países pesquisando diferentes maneiras de gerir seus modelos. Vamos, nos próximos números do “Opinião” desenvolver os diversos aspectos ligados aos “Family Offices”. Na parte II mostraremos as origens desse conceito; na parte III exploraremos as diversas maneiras de montagens organizacionais e na parte IV cuidaremos das aplicações nos diferentes ativos quer financeiros, quer não financeiros.


¹ Informações extraídas do manual do Fórum e de entrevistas com participantes brasileiros