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Fraudes na Caixa Econômica Federal

OPINIÃO

Fraudes na Caixa Econômica Federal

Semana iniciada em 06_08_2017

A Caixa Econômica Federal (CEF)    pertence aos brasileiros, porque 100% de seu capital é da União, ou seja, dinheiro nosso. Acompanho a desde a inauguração de minha Consultoria, em 1991. Vou enumerar uma série de problemas de tenho encontrado há 26 anos:

  1. Os primeiros balanços que a EFC analisou em 1991 e 1992 foram rejeitados pela auditoria, simplesmente porque o ativo não batia com o passivo!
  2. Em vários anos, a CEF tem tido prejuízos gigantescos: exemplo, em 2001 ela fechou com um prejuízo de R$ 4,7 bilhões, que corrigidos para hoje seriam R$ 12,5 bilhões, ano que o governo teve que aportar um socorro de R$ 9,35 bilhões, segundo artigo da Folha de São Paulo;[1]
  3. Em 2007 o governo do Presidente Lula editou uma medida provisória (MP 349/2007) que  criou o Fundo de Investimentos do FGTS,  (FI-FGTS), sob gestão da CEF, cujos fundos originalmente se destinavam exclusivamente para garantia do tempo de serviço do trabalhador; essa MP permitiu que o dinheiro do trabalhador fosse investido em empreendimentos nos setores de energia, rodovias, ferrovias, empreendimentos portuários e em saneamento, sem que houvesse responsabilizações pelas aplicações. Esse FI-FGTS é a fonte de milhões de reais fraudados, como demonstraremos a seguir.
  4. No período de 2008 (crise da “marolinha”0 e 2010, por ordem do ex-presidente Lula, a CEF entrou em um “atoleiro”, ao adquirir através de uma empresa sua coligada parte do Banco Panamericano (do Sr. Silvio Santos) que em seguida quebrou, deixando um rombo de mais de seis bilhões de reais, após a “ajuda” do Fundo Garantidor de Crédito;[2]
  5. Em 2016 o jornal “Estado de São Paulo”[3] diz em sua manchete: “Para limpar balanço, Caixa repassa R$ 23 bilhões em ‘créditos podres”: “só em 2015, banco vendeu por R$ 493 milhões créditos de R$13 bilhões considerados de difícil recuperação, o que distorce os índices de inadimplência”, “depois de ser usada pelo governo como locomotiva de crédito para impulsionar a economia nos últimos anos” (entenda-se governo Dilma, nota minha);
  6. Os jornais da semana iniciada em 16 de janeiro de 2017 trazem em letras garrafais o escândalo envolvendo a Caixa Econômica Federal e os nomes de Eduardo Cunha, preso, e Geddel Vieira Lima, ex-vice presidente da CEF na área de “pessoas jurídicas”. Geddel foi preso, fez delação premiada e hoje vive confortavelmente em sua mansão de Fortaleza. O intermediário entre os dois era o “doleiro” Lúcio Funaro, ainda preso;
  7. Notícia do “Estadão” de domingo, 06/agosto/2017[4]: “metade das operações do FI- FGTS com empresas envolveu propina”: “ é o que mostram delações premiadas de investigados em diversas operações  como Lava Jato e Sépsis”; o fundo tem hoje um patrimônio de R$ 32 bilhões, dos quais R$ 11,4 bilhões envolvidos em denúncias. Elas foram detalhadas por Fábio Cleto, ex vice-presidente de Fundos e Loterias da CEF, citando o esquema de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos presos.

Digo eu: onde andaram os sistemas de controles internos, auditorias internas e externas da CEF e a fiscalização do Banco Central, bem como o Judiciário, nesses anos todos, sobre a podridão da CEF?

[1] Segundo publicação de 12 de março de 2002 da Folha de São Paulo.

[2] Os detalhes dessa operação podem ser lidos em meu livro “Dinheiro Podre”, Editora Matrix, 2016.

[3] Edição do “Estadão” de 07 de abril de 2016, reportagem de Murilo Rodrigues Alves

[4] Edição do “Estadão de 06 de agosto de 2017, pagina B1, caderno de Economia