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Não interessa a ninguém incendiar o Brasil

OPINIÃO

Não interessa a ninguém incendiar o Brasil

Semana iniciada em 19_06_2017

No encontro deste domingo com meus amigos do grupo “Anciãos ao Vento”[1] comentava com eles  que nos artigos tenho elogiado sistematicamente o governo do Presidente Temer, mas que, agora, em face às recentes denúncias vindas de Josley Batista, agravadas pela publicação da revista “Época” deste fim de semana, não estava sabendo o que falar. E ai um desses meus amigos me recomendou: “escreva isso, sua perplexidade face aos acontecimentos”. Achei boa a recomendação, mas como sou um engenheiro carteziano resolvei estudar o assunto mais profundamente, conforme explico a seguir.

  1. Começo pela análise  da correta e oportuna entrevista do Ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal de Justiça, ao jornalista Roberto D’Avila da Globo News, feita no dia 15 passado, que sugeriu o título desse número do “Opinião” (que escrevo desde 1992 todas as semanas): “Não interessa a ninguém incendiar o Brasil”. Continua o ministro: “são tempos estranhos, que requerem serenidade maior, observando as garantias jurídicas. Trata-se de um periodo muito delicado mas que gera esperanças de dias melhores. Precisamos retomar o desenvolvimento do Brasil, mas precisamos ser rigorosos na observação da legislação, porque não sabemos o que poderá ocorrer com esse eventual incêndio sem esse rigor”.
  2. Em seguida, olho o caderno especial do “Estadão” de domingo, 18 de junho de 2017 denominado “O Brasil além da Crise”. Esse caderno começa com observações importantes sobre a economia brasileira no momento atual, que resumo abaixo:
    • “A economia tenta se descolar da política, ao contrário de outros tempos. O que se observa até o momento é uma inusitada calmaria e um esforço para manter a reação da economia”[2].
    • Diz a economista Zeina Latif: “não se recupera do desastre de Dilma da noite para o dia. A crise abalou as estruturas e reduziu o potencial de crescimento do País. A queda consistente da inflação é a prova do acerto da atual politica econômica”[3].
    • O jornal citado menciona o papel da equipe econômica comandada pelo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chamado de “fiador da estabilidade”, tendo contribuido decisivamente para o descolamenteo da economia e a crise política.
    • Quanto aos passos importantes já dados por Temer não há como negar o progresso: a queda da inflação, o inicio do crescimento, embora ainda tênue, os avanços na legislação como os limites dos gastos públicos federais, as negociações dos gastos públicos estaduais, os avanços nas aprovações da  reforma da previdência, da trabalhista (já aprovada na Câmara) e os ensaios para a reforma política, que precisa avançar, especialmente na questão do financiamento das campanhas eleitorais.
  3. No mesmo caderno há uma análise sobre o mercado financeiro, que diz: “Mercado financeiro segue descolado da crise política”. O gráfico mostrado indica que o índice Bovespa em janeiro de 2016 estava em 42.142 pontos; em junho de 2016 fechou em 61.626 pontos (cotação de fechamento de 16/06/2017), uma subida de 42%.  Temer assumiu interinamente a presidência em 12 de maio de 2016.
  4. Digo eu: como analista financeiro que sou, lembro aos leitores que na crise de 2008 o  índice Bovespa estava em maio/2008 em 71 mil pontos, mas caiu para 29 mil em novembro/2008, uma brutal queda de 59% em seis meses. Nesse ano, Lula, que  era o presidente, denominou a crise de  “marolinha”, crise essa que, em verdade, derrubou o nosso crescimento por anos.
  5. Digo eu: só agora estamos iniciando a sua retomada,  tão fortes foram os estragos das gestões “Lula” e  “Dilma” (especialmente no  segundo mandato dela), quando ela tentou segurar artificialmente a inflação para conseguir ser reeleita. Em 2015 o IPCA, o índice de preços do governo, fechou em 10,76% exatamente pela influência dos preços administrados[4] . Esses preços pesavam 20% no total do IPCA e chegaram em 20% em 2015, ou seja, apenas o represamento artificial de 2014 contribuiu em 4% para a inflação de 2015.Digo eu: Essa semana será crucial para vermos o desdobramento da crise provocada pelos irmãos JB, que jogaram essa m.. toda em cima dos brasileiros e se mandaram com suas famílias para o exterior, em uma delação extremamente premiada. O que o Sr. Janot, que está por trás dessa crise, de fato pretende?
  6. Digo eu: Essa semana será crucial para vermos o desdobramento da crise provocada pelos irmãos JB, que jogaram essa m.. toda em cima dos brasileiros e se mandaram com suas famílias para o exterior, em uma delação extremamente premiada. O que o Sr. Janot, que está por trás dessa crise, de fato pretende?


[3] Economista-Chefe da XP Investimentos

[4] Preços administrados são aqueles administrados pelo governo federal tais como combustíveis (eram, não são mais), serviços telefônicos, eletricidade e planos de saúde. Fonte, http://www.infomoney.com.br/educacao/guias/noticia/368464/precos-administrados-saiba-como-sao-definidos-influenciam-inflacao