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Os sete planos econômicos do Brasil: 1986 à 1994

OPINIÃO

Os sete planos econômicos do Brasil: 1986 à 1994

Semana iniciada em 20_11_2017

Acabar com a inflação brasileira, que chegou a 82% em um único mês, foi uma tarefa que envolveu sete tentativas, sob três presidentes da república: José Sarney, com quatro planos: Cruzado I, Cruzado II, plano Bresser e plano Verão (de Maílson da Nobrega); Fernando Collor de Mello, com o Collor I e Collor II e, finalmente, Itamar Franco com o plano Real.

José Ribamar Ferreira Araújo da Costa Sarney[1] era o vice-presidente de Tancredo Neves, que seria o primeiro presidente civil após um longo período de presidentes militares (1964 a 1985). Sarney assumiu a vice-presidência em 15 de março de 1985; com a morte de Tancredo em 21 de abril de 1985 é nomeado definitivamente presidente do Brasil. O ano de 1984, anterior à posse de Sarney, acabou com uma inflação de 907%, equivalente a 21,2% ao mês. Com o primeiro plano de Sarney, o Cruzado I de 1986, o ano termina com uma inflação de 65%, equivalente a 4,26%; foi dominada, mas o represamento forçado logo a faz explodir, chegando a 27,6% no mês de maio de 1987.

Entra aí o plano Bresser, conduzido pelo professor Luiz Carlos Bresser Pereira, com a inflação chegando a 415,9% nesse ano e a 1037,5% em 1988. Com isso, Bresser pede demissão e é substituído por Maílson da Nóbrega, que segue até o final do governo Sarney sem, contudo, debelar a inflação. Ela termina 1989 em 1782,9%, equivalente a 27,71% ao mês. O presidente Sarney começou seu mandato em 1986 com apenas US$ 11,6 bilhões de reservas internacionais e deixou seu governo com US$ 6,7 bilhões, suficiente para três meses de importações. Por essa razão, foi obrigado a declarar moratória, suspendendo o pagamento da dívida externa, o que perdurou até 1988[2].

Em 15 de março de 1990 toma posse Fernando Affonso Collor de Mello[3], com apenas 41 anos. Collor convida para ser sua ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, uma jovem economista que havia trabalhado na equipe do plano Cruzado. O projeto de Collor era produzir um grande impacto nas contas públicas, com o congelamento por 18 meses de todos depósitos do overnight e das cadernetas de poupança[4]; a moeda da época, o Cruzado Novo foi substituído pelo Cruzeiro; preços e salários foram congelados inicialmente; vários tipos de incentivos fiscais foram eliminados; o câmbio foi liberado; vários institutos governamentais foram extintos, etc.

Em janeiro de 1991, com a inflação voltando a subir, é lançada a segunda etapa do plano, hoje designada como Collor II, mas a inflação volta a subir, e então Zélia é substituída em maio por Marcílio Marques Moreira, que era embaixador do Brasil nos Estados Unidos. A média mensal da inflação em 1989, antes de Collor, era de 28% ao mês, caiu ligeiramente para 26% ao mês em 1990, caiu um pouco mais para 16% ao mês e, 1991 e voltou a subir em 1992 para 23% ao mês, quando Collor renuncia.

Do ponto de vista de divisas, Collor encontrou o Brasil com baixíssimas divisas (US$ 6,7 bilhões) e deixou para seu sucessor US$ 23,7 bilhões

Itamar Augusto Cautiero Franco[5], um engenheiro civil eletrotécnico era o vice presidente de Collor e com sua renúncia, assumiu a presidência da república em 29 de dezembro de 1992, tendo permanecido nessa função até 1° de janeiro de 1995, quando transferiu a faixa presidencial para Fernando Henrique Cardoso, que era seu ministro da Fazenda e que foi o responsável pela implantação do Plano Real, o único dos sete planos econômicos que de fato conseguiu debelar a hiperinflação brasileira e garantir o sucesso de sua nova moeda, o Real. Itamar iniciou sua gestão com os US$ 23,7 bilhões deixados por Collor e entregou a Fernando Henrique U$ 38,8 bilhões, que depois foram “queimadas” pelo câmbio retido pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gustavo Franco, até ser demitido pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan.

Hoje, 2017, o Brasil possui US$ 380,581 bilhões de reservas e terminará com inflação inferior ao centro da meta, que é de 4,5% ao ano, com Michel Temer, após Lula I, Lula II, Dilma I e Dilma II.


NOTAS EXPLICATIVAS:

[1] Vide http://www.josesarney.org/o-politico/presidente/moratoria/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Collor_de_Mello

Os valores congelados seriam devolvidos com correção e juros de 6% ao ano: vide  https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Collor_de_Mello#Plano_Collor

https://pt.wikipedia.org/wiki/Itamar_Franco

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Sarney

[2] Vide http://www.josesarney.org/o-politico/presidente/moratoria/

[3] Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Collor_de_Mello

[4] Os valores congelados seriam devolvidos com correção e juros de 6% ao ano: vide  https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Collor_de_Mello#Plano_Collor

[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Itamar_Franco