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A queda das taxas SELIC

OPINIÃO

A queda das taxas SELIC

Semana iniciada em 24_07_2017

Fonte, Banco Central do Brasil – elaboração EFC

Taxa SELIC:  a mais baixa desde Novembro/2013

O Comitê de Política Monetária do Brasil – COPOM – na tarde de ontem, 24 de julho de 2017 baixou mais uma vez em um ponto porcentual a taxa Selic, que é a referência para toda a estrutura de juros do país. Ela significa quanto um banco de primeira linha obtém do Banco Central  (BCB) para transferir suas reservas líquidas para custodia eletrônica.

O gráfico mostrado acima e obtido do próprio site do BCB mostra que a nova taxa é a mais baixa desde 01/11/2013, quando esteve em 9,9% ao ano. Ela ficou em um teto de 14,15% durante um longo período, desde julho de 2015 até agosto de 2016, quando começou então a gradativamente baixar.

Hoje, com uma inflação em doze meses abaixo do centro da meta visada de 4,5%, essa taxa ainda cria uma das mais altas taxas “prime” de juros do mundo: segundo o site “moneyou”¹ o Brasil tem a terceira maior taxa de juros do mundo, calculada hoje em 3,71% ao ano, logo atrás da Turquia, 3,93% ao ano  e atrás da campeã, a da Rússiam 4,59% ao ano.

Mas o leitor não deve se animar, pois essas taxas são as chamadas “taxas prime”, que conforme explicamos, correspondem `a remuneração dos depósitos ociosos dos bancos entregues eletronicamente ao Banco Central do Brasil CB e obtida por eles.

As taxas de juros para os mortais normais são muitas vezes maiores: quem deve em cheques especiais está pagando 12,25% ao mês, quem entrou no cartão de crédito rotativo paga o absurdo de 13,38% ao mês, já o empresário que precisa descontar suas duplicatas para fazer capital de giro paga 2,5% a 3,5% ao mês, taxas que levadas para uma base anual dariam 34% a 51% ao ano, taxas absurdas!

Digo eu: com inflação projetada para fechar o ano de 2017 em 3,3% segundo o último relatorio FOCUS datado de 21/07/2017, o Banco Central (e o COPOM) deveriam já ter hoje uma taxa SELIC de 7,5% e não 9,25%. Claro, os grandes bancos, que “carregam” grande parte dos títulos da dívida pública brasileira e são remunerados pela SELIC mais juros, ganham mais com o atraso, pois continuam emprestando a taxas absurdas para nós, pobres brasileiros, que não temos crédito barato. Sem esquecer que o sistema bancário brasileiro é oligopolizado e comandado por apenas cinco grandes bancos: BB, Itaú, Bradesco, CEF, Santander. E cada vez mais concentrados.

¹ http://moneyou.com.br/wp-content/uploads/2017/07/rankingdejurosreais240717.pdf